Vivian Pinto Portela da Silva.

Vivian Pinto Portela da Silva.
Vivian Silva, diploma e fotografias, uma proferindo palestra em Congresso Internacional (Xalapa, México, 2011); em 2007; com o neto John Portela Grooms (novembro, 2013). Abaixo: Jornal da Tarde, (dezembro, 1966). Fotos com a família Wallace, proferindo palestra em High-School e como Jovem Embaixadora na, Universidade de Stanford (California, 1967).

domingo, 13 de novembro de 2011

NÚCLEO PAULISTA DE TAPEÇARIA (São Paulo, 1980-1984).


NÚCLEO PAULISTA DE TAPEÇARIA (São Paulo, 1980-1984).


O Núcleo Paulista de Tapeçaria, foi fundado por Labarros (Léo Arthur Barros, 1940-1990), quando reuniu c.de 30 associados, dedicados à Arte da Fibra [Fiberart]. Labarros conseguiu para o grupo o apoio do jornal Shopping News, bastante popular na época, que ofereceu-lhe espaço no Salão da EDIAM - Edições Americanas de Arte e Arquitetura, local onde ele proferiu seu primeiro curso. Ao final do curso seus alunos apresentaram mostra coletiva, com obras produzidas nos materiais e técnicas têxteis da Arte de Fibra, voltadas para o espaço e para a visão contemporânea da vida (1980).


Muitos artistas se associaram ao Núcleo Paulista de Tapeçaria; para o grupo, que se transformou em coletivo ativo voltado para a divulgação da Cultura da Fibra Têxtil, Labarros organizou inúmeras mostras de Arte Têxtil com a participação de todos os artistas. A primeira ocorreu no Paço das Artes (São Paulo, 05-30 abr., 1983); a segunda, do grupo formado com Labarros, Chris Ozanne, Ciça Graciosa, Delba Marcolini, Eliana Szasz, Henrique Schucman, Isa Betussi, Maria Cunha, Myriam Viganó, Sandra Figueiredo, Tânia Bastos e Vera César, que participaram com c. de 30 obras das mais variadas tendências, ocorreu no Hotel Caesar Park Ipanema (Rio de Janeiro, maio, 1983). Outra exposição, a terceira, foi organizada no Museu de Arte Contemporânea de Campinas (10 ago.), da qual participaram C. Ozanne, C. Graciosa, D. Marcolini, H. Schucman, I. Bertussi, Janda Caparica, Labarros, Magda Kealman, Marise Perissinotto, Meliza Lanfranchi, Pablo Graciosa, S. Figueiredo e T. Bastos, entre outros; e a quarta realizou-se no Museu da Casa Brasileira (10 nov., 1983). No ano seguinte a mostra dita, Coletiva de Tapeçarias, ocorreu na Galeria de Artes do Centro Municipal de Cultura (20 abr. - 06 maio), quando os artistas apresentaram pela primeira vez seu Tear Vivo (Guarujá, SP, 1984). No mesmo ano o grupo apresentou na mostra Pró-Cultura Ucraniana obras têxteis de Magda Kealmann, Maria Tereza Arruda Camargo, Marian Paiva Ramos e Myriam Viganó; e,obras têxteis associadas a obras em madeira de Dinho e Osni Branco, em mostra na Galeria Todarte (São Paulo, jul., 1984). Vários artistas do grupo mostraram sua arte nas técnicas de tear no ATC/ Alphaville Tênis Clube, como Domenica Tatini, Cerzo, L. Miazake Cardoso, M. Viganó, Noriko Suzuki, Sigrid Berger e Verônica Spuras Ghizzi, associadas à mostra didática, de iniciação às técnicas de tecelagem manual (jul., 1984). O Núcleo Paulista de Tapeçaria inaugurou sua última coletiva no Museu da Casa Brasileira, com obras de Annemarie Spatz, C. Ozanne, D. Marcolini, Elly Cabrera, Gustika Lopnoff, H. Schucman, Labarros, Maria Luiza Beirão, M. Lanfranchi, M. Viganó, T. Bastos, Yva Diepen e Wanda Brisolla, exposição promovida pela Secretaria do Estado da Cultura (São Paulo, 14-30 dez., 1984).



REFERÊNCIAS SELECIONADAS:


CÁURIO, R. Artêxtil no Brasil: Viagem pelo mundo da tapeçaria. Rio de Janeiro: 1985. 304p, il., algumas color., 21,5 x 29,5 cm.

 
CONVITE. Mostra Coletiva de Tapeçarias. Guarujá: Galeria de Artes do Centro Municipal de Cultura, 20 abr. - 06 maio, 1984.

 
CONVITE.Mostra do Núcleo Paulista de Tapeçaria. Campinas: Museu de Arte      Contemporânea de Campinas, 10-31 ago., 1983.


CONVITE. Mostra do Núcleo Paulista de Tapeçaria. São Paulo: Museu da Casa     Brasileira, 10-25 nov., 1983.


FOLHETO. Centro Paulista de Tapeçaria. São Paulo: Paço das Artes - Núcleo Paulista de Tapeçaria, 1983


REPORTAGEM. Estilos Diversos de Tapeçaria em Guarujá. Santos: A Tribuna de Santos,     sexta-feira, 20 abr., 1984.

J. N., MANUEL; Manuel de Jesús Neto (1957-).

O artista brasileiro nasceu em Arajara, perto de Crato (Ceará): ele veio viver em São Paulo (1967). Autodidata de raro talento, Jesus Neto se destacou na Cultura da Fibra, na criação de Instalações criativas, baseadas na natureza das técnicas dessa  arte.  JN foi aluno que o artista uruguaio Ernesto Aroztegui adotou, depois de encontrá-lo na Praça da República, onde o artista vendia artesanato têxtil.

O ilustre professor uruguaio visitou São Paulo inúmeras vezes, quando proferiu seu curso de técnicas têxteis para alunos paulistas, tais como Henrique Schucmann e Marina Overmeer. Durante o período de 2 anos, Aroztegui proferiu Workshops mensais nos finais de semana, no curso que ensinou as técnicas têxteis, ditas, de Gobelin, aos artistas paulistas, através da clássica Amostra de Aroztegui.

Aroztegui, cujas obras participaram da Bienal de Veneza, foi mestre inconteste da arte contemporânea uruguaia e bastante influente nos rumos da Cultura da Fibra brasileira.     As pesquisas de JN sobre a Arte da Fibra, levaram-no a descobrir que, para ele, a teoria da mesma girava em torno de Pressão, Envolvimento e Torção: a partir destas três premissas, o artista desenvolveu diversas fases das criativas técnicas têxteis que permearam sua obra. A primeira fase foi a que Jesus Neto chamou de Acomodado, na qual ele utilizou pressão colocando juntos diversos materiais, refugos da indústria têxtil como estopa colorida, e retalhos de tecidos, prensadas no meio de duas camadas de fios, que seguravam o material com pressão. Este tipo de técnica JN expôs na sua grande Instalação, na mostra do Mês da Arte Têxtil, organizada em conjunto pelo CPT/ Centro Paulista de Tapeçaria, no SESC – Pompéia (São Paulo, 1989). Poderíamos descrever esta técnica que o artista batizou de Acomodado, como Acumulação Não Tecida de Material Têxtil, flexível, prensado entre camadas de fios não ordenados de maneira sequüencial. JN foi o único artista brasileiro que utilizou essa técnica original.
   
No desenvolvimento da segunda fase de sua pesquisa, JN alcançou a fase do dito, Envolvimento: em cima de placa de plástico transparente derretido e ainda muito quente, o artista dissolveu embalagens comerciais de plástico, com rótulos impressos com tinta colorida que, ao derreterem, passavam sua cor para o material transparente da base. A matéria plástica na placa quente logo adquiria consistência de gel líquido, com o aquecimento possibilitava derreter grande variedade de materiais e objetos, refugos que JN acrescentava. Quando o material endurecia, o artista produzia a série de fios de fibra, que tecia com técnicas criativas, nessa segunda fase de suas obras da Arte da Fibra.
    
Na terceira e última fase da técnica que desenvolveu e adotou, JN resgatou suas memórias da infância de menino pobre, que vivia ao lado de engenho de cana de açúcar existente até hoje no Ceará. O artista declarou sentir falta dos brinquedos, que nunca dispôs na infância, sendo que sua principal distração diária no seu único momento de lazer, quando se dirigia ao engenho para buscar o alfinin, o melado mais fino da cana de açúcar produzido na sétima caldeira, que depois de esfriar um pouco atingia o ponto de caramelo. Os funcionários estendiam com rodos o melado para esfriar, antes de colocarem-no nas formas de rapadura. Para resgatar essa fase da sua infância, JN derreteu plástico de refugos industriais, que reciclou em pequenas quantidades (200 grs. por vez), dissolvendo na chapa quente com auxílio de espátula, a fim de criar a massa pastosa que lembrava a consistência do melado de sua infância: com esse material, de grande plasticidade e beleza, o artista criou obras aceitas no XXII Salão de Arte Contemporânea de Santo André (1994).           

As obras da Cultura da Fibra de JN participaram de inúmeras mostras coletivas, como do XIV Salão de Artes Plásticas do Embu (São Paulo, 1980); do I Salão Nacional de Artes Plásticas Alberto Santos Dumont, realizado no Museu da Aeronáutica, onde sua obra em técnica de fibra recebeu Medalha de Prata (São Paulo, 1982), da III Trienal de Tapeçaria,no MAM (São Paulo, 1982); no Salão Paulista de Arte Contemporânea de Araras (SP, 1984); de várias mostras realizadas no Museu da Imagem e do Som e no Paço das Artes; da exposição Tendências, no MASP (São Paulo, 1985); no Chapel Art Show, na Galeria Chapel (São Paulo, 1985); no importante Evento Têxtil/ 85, realizado no MARGS (Porto Alegre, RS, 1985), itinerante por vários museus e instituições culturais brasileiras (1985-1986).
   
JN expôs no Museu de Arte Contemporânea (Curitiba, PR, 1994); e na mostra internacional Uma Visão sobre a Arte Têxtil Brasileira Hoje (1995-1996), realizada no Museu da Torre Redonda (Copenhagen, Dinamarca, set.- out., 1995),  itinerante ao Museu Nacional do Traje (Lisboa, nov., 1995- maio, 1996), ao MARGS (Porto Alegre, junho-julho, 1996) e ao Museu de Arte de Santa Catarina (Florianópolis, julho-agosto, 1996).
    
JN se destacou no movimento da Cultura da Fibra nacional como artista espontâneo: suas obras resgataram universo de elaboradas técnicas têxteis, com a releitura extremamente contemporânea, moderna, sem nunca perder de vista suas raízes brasileiras. Na Instalação que o artista apresentou no Evento Têxtil/ 85, ele resgatou na técnica pessoal as garrafas de areia cearenses, com desenhos originais e populares normalmente criados com areias coloridas. JN resgatou-as criando os desenhos com refugos de estopa colorida, elaborados com a mesma espontaneidade do jogo do acaso, pois do modo como as fibras caíam dentro da garrafa ficavam, acomodadas em várias camadas, compactas, no interior das garrafas. O artista montou com as suas garrafas sua instalação, inserida no contexto das vanguardas da época, simples e bem brasileira. A obra, uma das mais originais da mostra, encontra-se com sua fotografia reproduzida no catálogo da exposição (MARGS, 1985).
    
Ainda na técnica pessoal, JN criou a obra Agreste (fibras de lã, papel, 43 x 67 cm, 1995), que expôs na mostra internacional inaugurada em Copenhagen e itinerante a museus internacionais e nacionais (1995-1996), e que se encontra com sua fotografia reproduzida no catálogo do evento. Na sua obra pessoal com a utilização de refugos industriais, JN se inseriu na corrente contemporânea do movimento das vanguardas internacionais, no qual se destaca a obra de Robert Rauschenberg, precursor na utilização de materiais encontrados, refugos de uma sociedade industrial, obras reconhecidas como valiosas no contexto da arte contemporânea.

REFERÊNCIAS:

CATÁLOGO de exposição. Evento Têxtil 85. Porto Alegre: MARGS, 1985.

CATÁLOGO de exposição. Uma visão sobre a arte têxtil brasileira hoje. Copenhagen:
Museu Rundertarn. Lisboa: Museu Nacional do Traje. Porto Alegre: MARGS. Florianópolis: Museu de Arte de Santa Catarina, 1995-1996.

DEPOIMENTO pessoal do artista, por telefone, 13 de agosto, 2003.

sábado, 12 de novembro de 2011

SCHUCMAN, Henrique (1950-).


O artista nasceu em Erechim (RS): Schucman estudou Engenharia Elétrica, com Pós-Graduação em Engenharia Nuclear e Ambiental, na Escola Politécnica - USP (São Paulo). Schucman passou um ano em Ashram de Sri Aurobindo Pondicherry (India), estudando e estagiando em diversos ateliês de Cerâmica, Batik e Tapeçaria, freqüentando a manufatura de Tapetes executados nos teares manuais por refugiados tibetanos. De volta ao Brasil, Schucman se tornou um dos alunos do professor uruguaio Ernesto Aroztegui, que, durante dois anos proferiu curso especial em São Paulo, do qual também foram alunos Marina Overmeer e Manuel de Jesús Neto. Schucman foi seu mais fiel discípulo, recebendo a orientação de Aroztegui durante oito anos seguidos; ele passou a desenhar e criar obras na Cultura da Fibra.

O artista participou do grupo Núcleo Paulista de Tapeçaria (São Paulo, 1980-1984), fundado por Labarros (Léo Arthur Barros, 1940-1990), quando reuniu c.de trinta associados, dedicados à Fiberart [Arte da Fibra]. Schucman participou das inúmeras mostras de Arte Têxtil, organizadas por Labarros com a participação de todos os artistas.

Schucman organizou com Marina Overmeer o Atelier Casa 11, onde ministrou cursos de tear e desenvolveu modelos de tecido artesanal, apresentados no Brasil Moda-Arte, projeto do Ministério do Trabalho e a ABEMODA – Aassociação Brasileira dos Estilistas de Moda (São Paulo, 1987-1989). Mudando para Florianópolis (SC), Schucman passou a ministar cursos e workshops de Criatividade para monitores do Programa Catarinense de Profissionalização de Agricultores, em cooperação com a República Federal da Alemanha; para a AMASC – Associação Amigos do Museu de Arte de Santa Catarina, no CIC – Centro Integrado de Cultura e classes de Tapeçaria, Tecelagem e Estamparia no Departamento de Artes Plásticas da UDESC – U. Federal de Santa Catarina.

O artista representou o Brasil na segunda mostra do ITNET – International Tapestry Network, que reuniu obras de diversos tapeceiros internacionais e, durante dois anos percorreu vinte instituições culturais norte-americanas (out., 1992-). O final da itinerância da mostra foi no Art Museum, em Anchorage, sede da instituição norte-americana (Alaska, 1994). A tapeçaria de Schucman, O Funcionário e a Bailarina, na técnica de Gobelin, foi adquirida pelo colecionador norte-americano George Gross (San Francisco, CA.).
Schucman foi convidado para expôr suas obras têxteis na Galeria das Américas, na OEA – Organização dos Estados Americanos (Washinghton, DC.) O artista ecebeu menção honrosa pela obra Meninas de Guerra, quando expôs na 9th International Triennial of Tapestry (Lodz, Polônia, 1998).

O artista inaugurou a Pousada do Tapeceiro (SC), em uma localização privilegiada pela natureza e passou a desenvolver trabalho artístico com modernas técnicas de Arte Têxtil. Nas suas caminhadas a beira-mar o artista passou a recolher fibras naturais, e outros materiais deixados pelas ondas nas praias de Santa Catarina. Esta matéria-prima pouco usual, passou a proporcionar textura e coloração quando utilizada na confecção de obras de Fiberart [Arte da Fibra], em algodão, sisal, cordas, redes de pesca, retalhos de tecidos e amarrações de ancoras, entre outros materiais inusitados. O artista continua trabalhando nas obras de sua série Documentos Rupestres: Tapeçarias de Alto Liço com Materiais do Entorno.

Schucman ministrou curso que, segundo ele, proporcinonou-lhe o maior retorno afetivo, emocional e intelectual: foi o Teça Tudo, no SESC – Pompéia (jul., 2008). O tear foi visto como metáfora da vida e do universo pessoal: teça tudo e com tudo. Em doze aulas, usando as técnicas e materiais têxteis como metáforas para Eros e Tanatos, vida e morte, e o espiritual, os sonhos, os anseios, as vontades e as metas. Foi tranformador e até hoje os participantes estão alavancados em função disso. Outros dois cursos foram o Introdutório e o Avançado de Tapeçaria na Técnica de Aroztegui, proferidos na mesma instituição. Atrualmente o artista se encontra produzindo uma peça para a norte-americana Susan Klebanoff, no Presídio Feminino do Carandiru, sob a supervisão de Tioko Tomikawa.

Curriculum Vitae fornecido pelo artista (jan-fev., 2009).

domingo, 30 de outubro de 2011

LABARROS: Léo Arthur Barros (1940-1990).


O artista nasceu em Santos (SP) e principiou sua carreira assinando suas obras como L.A. Barros; depois, passou a assinar Labarros. O artista plástico dedicou-se à produção de obras da Arte da Fibra, da dita, Cultura da Fibra, utilizando técnicas de macramé, da mesma forma que Sonia Paul, outra artista santista. Obras de Labarros e Paul participaram da II Trienal de Tapeçaria, no MAM (São Paulo, mar.- abr., 1979); uma obra de cada citado encontra-se com sua fotografia reproduzida no catálogo da exposição.

Labarros fundou o Núcleo Paulista de Tapeçaria (São Paulo), que agregou c. 30 membros, com os quais ele criou o Grupo do Tear Vivo, obra mista, têxtil e performática de Arte Corporal. Esse grupo que Labarros organizou e desenvolveu tornou-se coletivo ativo na divulgação da dita Cultura da Fibra têxtil. O artista conseguiu para o grupo o apoio do jornal Shopping News, bastante popular na éoca, que ofereceu-lhe seu espaço no salão das Edições Americanas de Arte e Arquitetura [EDIAM]. Nesse local Labarros proferiu seu primeiro curso, ao final do qual seus alunos apresentaram mostra coletiva com obras produzidas na técnica de macramê, voltadas para o espaço e para a visão contemporânea da Arte da Fibra (1980).

Artistas se associaram ao Núcleo Paulista de Tapeçaria, que apresentou 3 mostras coletivas, com obras de c. 30 artistas; a primeira realizou-se no Museu de Arte Contemporânea (Campinas, SP, 10 ago. – set., 1983); a segunda no Museu da Casa Brasileira (São Paulo, 10 – 30 nov., 1983); e a terceira, dita, Coletiva de Tapeçarias, realizou-se na Galeria de Artes do Centro Municipal de Cultura (Guarujá, SP, 20 abr. - 06 maio, 1984).

A artista plástica Delba Marcolini tornou-se diretora cultural do Núcleo Paulista de Tapeçaria. Labarros organizou núcleo com apenas 12 dos mais ativos participantes, artistas que formaram o Grupo Performático dos Artistas da Trama, dos quais ele tornou-se o coordenador. Labarros passou a viajar com seu grupo, apresentando performances em várias localidades do Estado de São Paulo. Cada evento do Grupo dos Artistas da Trama foi aberto a todo o público participante, criando Tear Vivo, no qual a estrutura (urdume) do têxtil era sustentado pelo corpo dos participantes, que longa corda unia. A trama era acrescentada por outros dos performáticos, com ajuda dos coordenadores de cada evento, que passaram a atrair e reunir inúmeros participantes. A obra resultante do trabalho coletivo passou a integrar as exposições do grupo, realizadas com o concurso de várias outras obras individuais dos associados.

O Tear Vivo foi apresentado pela primeira vez no Centro Cultural São Paulo (1983). Os artistas compareceram ao evento levando grande variedade de fios, tecidos e fibras,sintéticas, animais e vegetais; papéis (jornal e celofane) e retalhos têxteis, entre vários outros materiais que participaram da obra coletiva. Ao final de cinco horas de trabalho, parte do qual com colaborações eventuais, nasceu a dita, composição lúdico-sensorial denominada Criação da Natureza Exuberante. Segundo Cáurio, a obra propiciou a reunião de diversas pessoas em torno da linguagem e do fazer têxteis revelando afinidades, contrastes, e até novos adeptos da trama (CÁURIO, 1985: 233).

Outro evento performático com o tema da Ressureição de Cristo foi realizado pelo Grupo Performático dos Artistas da Trama no sábado de Aleluia, na sede do CMC - Centro Municipal de Cultura (Guarujá, 21abr., 1984). A mostra coletiva realizada na Galeria de Artes do CMC fora inaugurada no dia anterior, com a presença de autoridades e do público.

Labarros apresentou com seu grupo exposição na Galeria Patacão (Embú, 1984), entre várias outras mostras com obras individuais dos integrantes dos Artistas da Trama, mas sem a performance coletiva, devido à limitação de espaço, como a realizada na Galeria de Arte do Hotel Caesar Park (Rio de Janeiro, 12 maio, 1983). Essa exposição foi inaugurada com a presença de todos do grupo: Labarros, Tânia Bastos, Isa Bertussi, Vera César, Maria Cunha, Sandra Figueiredo, Ciça Graciosa, Delba Marcolini, Chris Ozanne, Eliana Szasz, Henrique Schucman e Miriam Viganó. No catálogo da mostra, Labarros apresentou o grupo:

Artistas que fiam e tecem no macramê, na talagarça e na tecelagem, apresentam nesta mostra através da fibra o desenvolvimento e suas sensações na expressão da criatividade.


Nessa ocasião, o Rei Juan Carlos e a Rainha Sofia da Espanha, que se encontravam hospedados no mesmo hotel, receberam das mãos de Marcolini a doação de uma das obras do Grupo Performático dos Artistas da Trama.

Labarros emigrou para os Estados Unidos e radicou-se em Miami, onde instalou o Studio Labarros (13525 SW 83 Avenue). O artista associou-se às vanguardas norte-americanas e participou de vários eventos e mostras coletivas. Labarros contraiu AIDS, na época em que a doença ainda não tinha encontrado tratamento. O artista voltou para o Brasil, onde faleceu e foi enterrado em Santos, sua cidade natal.


REFERÊNCIAS:

CATÁLOGO. II Trienal de Tapeçaria. São Paulo: MAM, 1979

FOLHETO. Núcleo Paulista de Tapeçaria. São Paulo: Paço das Artes - Núcleo Paulista de Tapeçaria, 1983

CÁURIO, R. Artêxtil no Brasil: Viagem pelo mundo da tapeçaria. Rio de Janeiro: Rita Cáurio, 1985, 304p: il., color., 22 x 29 cm, p. 233

CONVITE. Mostra do Núcleo Paulista de Tapeçaria. São Paulo: Museu da Casa Brasileira, 10-25 nov., 1983.

CONVITE. Mostra Coletiva de Tapeçarias. Guarujá: Galeria de Artes do Centro Municipal de Cultura, 20 abr. - 06 maio, 1984.

CONVITE.Mostra do Núcleo Paulista de Tapeçaria. Campinas: Museu de Arte Contemporânea de Campinas, 10-31 ago., 1983.

ENTREVISTA com Delba Marcolini, 11 de agosto, 2003.

REPORTAGEM. Estilos Diversos de Tapeçaria em Guarujá. Santos: A Tribuna de Santos, sexta-feira 20 abr., 1984.

CERZO: Celso Diniz Braga (1947-1994).



CERZO: Celso Diniz Braga (1947-1994). O artista brasileiro dedicado as vanguardas da Cultura da Fibra, nasceu em Andirá, no Paraná, mas viveu em Santana do Parnaíba, no Estado de São Paulo. O artista declarou dedicar-se mais a arte têxtil, devido a sua necessidade vital afetiva, melhor complementada nesse caminho da arte. A declaração encontra-se publicada no Catálogo da II Exposição do CPT -

O artista participou de várias mostras coletivas da Cultura da Fibra: da II e da III Trienal de Tapeçaria, no MAM (São Paulo, mar. – abr., 1979; ago. – set., 1982), com obras espaciais originais, realizadas na técnica mista com envelopamento de fibras naturais (galhos), formando a instalação ambiental que Cerzo chamou de Discurso Inútil (1968-1969); suas obras participaram do Evento Têxtil/ 85, realizado no MARGS - Porto Alegre, itinerante a FAAP (São Paulo) a Estação Carioca do Metrô (Rio de Janeiro), ao Museu de Arte de Santa Catarina e a Fundação Cultural (Belo Horizonte).

Cerzo participou da associação de artistas Centro Paulista de Tapeçaria, que promoveu várias mostras nacionais, inclusive a que ocorreu no SESC – Pompéia (09-25 out., 1987).O artista participou com a obra O meu afetivo é arisco: que superhomem sou eu? da 1ª Mostra Nacional de Tapeçaria Artística de Ribeirão Preto, realizada na Casa de Cultura (3- 26 jun., 1988). Cerzo foi artista convidado do Salão Internacional de Minitêxteis (Michoacán, México).


REFERÊNCIAS:

CATÁLOGO. Exposição Nacional de Arte Têxtil - Evento Têxtil/ 85. Porto Alegre: MARGS, 1985, il., 21,0 x 21,5 cm.

CATÁLOGO. II Trienal de Tapeçaria. São Paulo: MAM, mar. – abr., 1979.

CATÁLOGO. II Exposição do Centro Paulista de Tapeçaria. São Paulo: SESC - Pompeia, 09-25 out., 1987.

CÁURIO, R. Artêxtil no Brasil: Viagem pelo mundo da tapeçaria. Rio de Janeiro: 1985. 304p, il., algumas color., 21,5 x 29,5 cm.

FOLHETO. 1ª Mostra Nacional de Tapeçaria Artística de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto: Secretaria Municipal da Cultura - Governo João Gilberto Sampaio, 1988.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

REGINA GOMIDE GRAZ (1902-1973).

Nossa primeira reconhecida artista têxtil foi Regina Gomide Graz. A artista estudou arte têxtil indígena no Rio de Janeiro; voltou a São Paulo onde passou à dedicar-se às ditas, Artes Decorativas, pintando painéis e criando desenhos de tapetes e tapeçarias tecidas, colchas e painéis, entre outras obras têxteis com as quais complementou projetos de decoração de seu marido, o pintor e arquiteto de interiores, John Graz. Obras têxteis de Regina participaram da decoração da famosa Casa Modernista, do arquiteto russo Gregori Warchavich, que chegou ao Brasil para revolucionar a arquitetura modernista, exterior e interior (São Paulo, abril, 1930). Regina Graz expôs obras no I Salão Paulista de Belas Artes (1934). 

As atividades de Regina Graz declinaram, a medida que declinou o poder aquisitivo da rica sociedade paulista, atingida em profundidade com a crise internacional do café, conseqüência da quebra da bolsa de Nova York (maio, 1929) e da severa recessão americana com profundos reflexos internacionais (1929-1939). Décadas mais tarde a artista foi visitada pelos artistas plásticos, expoentes da Cultura da Fibra, Jacques Douchez e Norberto Nicola, que receberam da pioneira grande estímulo na exploração das possibilidades das técnicas têxteis: os artistas se tornaram reconhecidos pioneiros da Arte da Fibra brasileira.